V.R.G, 33 anos, vendedor, Recife (PE)
4 anos e 5 meses limpo!
“Conheci as drogas em meio aos amigos (se é que aquilo posso chamar de amigos…), aos 17 anos tive meu primeiro contato com a maconha, usava por curiosidade ou para estar inserido no meio da galera, achava aquilo o máximo!
Com o passar do tempo, aquela substância foi se tornando insuficiente e migrei para o raxixe, não tardou para que tal substância mais uma vez viesse a não me satisfazer, eu não encontrava nela o que eu realmente queria. Então experimentei a cocaína, foi “amor” a primeira vista! Mal sabia eu que aquele “amor” me levaria a mais profunda decadência de minha vida.
Não consegui parar mais. Usei intermitentemente até os meus 30 anos. Foram anos de total devastação, perdi namoradas, empregos, casei e perdi minha família, meus filhos se distanciaram e meus pais foram morar em outra cidade. Porém, a pior de todas as perdas foi eu ter perdido minha moral, minha dignidade e meu nome.
Correr risco de morte era uma constante durante o período, mas o pior era minha limitação: virei um prisioneiro das compulsões. Vivia para usar e usava para viver.
Foi quando um amigo de infância que também havia pensado pelo que eu estava passando, procurou meus pais na cidade vizinha para onde os dois haviam “fugido” na tentativa de não sofrerem ao presenciar meu suicídio lento. De dose em dose, de grama em grama.
Esse meu amigo foi um cara enviado por Deus! Ele sugeriu aos meus pais que fizessem uma internação involuntária (a contra gosto), e assim foi feito.
No começo havia muita raiva, estava revoltado com tal atitude. Eu não queria ser internado! Na verdade eu não queria mesmo era parar de usar.
Eu encontrava na cocaína, a resolução de todos os meus problemas. Era ela que afagava minhas dores do passado e meus anseios do futuro, era ela a maldita substância que me proporcionava um prazer rápido, ilusório e fantasmático.
Dentro do espaço terapêutico no começo foi difícil, mas com o passar do tempo fui percebendo que meus pais haviam tomado a decisão correta.
Foi o momento que eu decidi seguir as sugestões dadas no tratamento e, quase que magicamente, minha evolução dentro da clínica começou a ascender a cada dia que se passava.
Hoje agradeço a meus pais por terem tomado a decisão certa, agradeço ao meu grande amigo T.M.V. e também a toda equipe de profissionais que cuidaram de mim durante meu internamento.”