Depoimento J.A.F

J.A.F., 38 anos, arquiteta e urbanista, Curitiba(PA)

“Antes do uso das drogas, aos 19 anos, sofri um abuso sexual, que fizeram viver como uma personagem, devido a vergonha, culpa e medo. Me aperfeiçoei em viver mentiras. Por muito tempo me destaquei como uma aluna nota 10, que me garantia a admiração e aceitação social, mas o egocentrismo crescente me dizia que deveria controlar tudo a minha volta. Isso foi o meu maior algoz enquanto o uso das drogas tomava espaço e começara a afetar todas as áreas de minha vida.

Me casei e fui mãe aos 21 anos, no terceiro ano de faculdade. Engravidei novamente e meu segundo filho nunca nasceu por causa do uso descontrolado de várias substâncias. Me formei, me separei e frequentemente abandonava minha filha aos cuidados dos meus pais quando a compulsão tomava conta de todos os meus pensamentos, vontades e atitudes. Estava falida!

A recuperação veio a surgir na minha vida quando decidi por vontade própria buscar uma internação em uma Clínica de Reabilitação para dependentes químicos e alcoólicos, minha mãe buscou ajuda nos grupos familiares e conseguiu um local seguro e de grande competência para tratar de minhas dores emocionais do passado, que me faziam buscar substâncias para mascarar meus sentimentos no presente. Me senti arrastada pela necessidade de mudança, e a todo custo me debrucei verdadeiramente em meu tratamento, fui orientada, cuidada, e tratada. Desejei com todo resto de força e vida existentes em mim a mudança, e consegui!

Aprendi dentro de um espaço terapêutico virtudes em mim que me levam a práticas saudáveis: esporte, acordar cedo, dormir cedo e ter um objetivo de vida.

Reconhecer minha razão de existir me fazem prosseguir num propósito espiritual em tempos difíceis.

O enfrentamento da doença com a verdade foi o que me ajudou. Só com muita verdade somos capazes de reconhecer a derrota. Quando admito que perdi para as drogas, dou início ao processo de contrapor o prazer que destrói. É preciso muita coragem para mudar, daí precisamos tanto uns dos outros.”