M.S.R., 20 anos, estudante, João Pessoa(PB)
1 ano e 4 meses limpo.
“Morava com meu pai e meu irmão. No início foi a maconha e com o tempo usei todas as substâncias possíveis(tornei-me um dependente de múltiplas drogas). Me identifiquei no crack(substância mortífera que destruiu meus sonhos) e foi quando minha vida começou a se destruir, perdi tudo.
Meu pai não tinha mais controle sobre mim, que ainda era menor de idade. Ele ficou doente, teve câncer e, após um mês, ele faleceu.
Me senti destruído, perdi o rumo e passei a viver só em função da droga. Todo dia, toda noite, com chuva e com sol eu estava usando.
Cada vez queria usar mais, a droga já não me satisfazia como antes. Nem mesmo a morte do meu pai me trouxe consciência para parar de usar. Era algo muito mais forte que eu! Eu sabia que estava me destruindo, mas a obsessão e a compulsão eram potentes, e me deixavam totalmente vulnerável ao domínio do crack.
Depois de vários princípios de overdose, furtos para sustentar o vício, prostituição, problemas com polícia, dentre outros episódios hediondos que a droga nos faz passar, minhas rmãs voltaram a se aproximar de mim e me internaram em uma comunidade terapêutica.
Eu não queria ir, e foi necessária uma equipe de enfermeiros me buscarem dentro de uma boca de fumo que eu geralmente costumava me refugiar para usar.
Eu tinha medo de uma internação, e havia criado em minha cabeça uma imagem completamente distorcida do que realmente é um centro de recuperação.
Dentro da clínica fui muito bem recebido e consegui me sentir a vontade para buscar minhas melhoras.
Lá dentro tratei de todos os fatores emocionais e psicológicos que me faziam usar drogas. Me encontrei como pessoa e aprendi métodos eficazes de como me manter limpo na rua.
Encontrei uma nova maneira de viver e me preparei para voltar a sociedade e ser membro positivo e produtivo em meu meio.
Achava que ia morrer usando e hoje reconheço que existe sim a possibilidade de dar a volta por cima!
Hoje não mais tolero a infeliz frase de que “uma vez drogado, sempre drogado.” Isso é uma grande mentira preconceituosa! Por isso rogo a Deus todos os dias para que me dê forças e me capacite para levar a mensagem de esperança para outras famílias.”